A Resposta do Islã à Ideia da Encarnação
O Islã ensina que Deus é o Criador absoluto do universo, possuidor de atributos perfeitos e totalmente livre de qualquer imperfeição ou semelhança com a Sua criação.
Deus diz no Alcorão:
“Nada é semelhante a Ele, e Ele é o Oniouvinte, o Onividente.”
(Alcorão 42:11)
Esse versículo estabelece um princípio fundamental na teologia islâmica: nada na existência se assemelha a Deus. Se Deus não se parece com nada da criação, então seria impossível que Ele se tornasse um ser humano, que faz parte dessa criação.
Deus também diz:
“Dize: Ele é Allah, o Único.
Allah, o Absoluto.
Não gerou e não foi gerado.
E não há ninguém comparável a Ele.”
(Alcorão 112:1–4)
Esse breve capítulo resume o conceito do monoteísmo no Islã: Deus é único, perfeito, autossuficiente e sem igual.
A encarnação refere-se à crença de que Deus assume forma humana ou se torna um ser humano para viver entre as pessoas.
Do ponto de vista islâmico, essa ideia levanta vários problemas lógicos.
Os seres humanos são limitados e fracos, enquanto Deus é perfeito e ilimitado.
Os seres humanos:
Deus, porém, está livre de todas essas necessidades.
Deus diz:
“Allah — não há divindade além d’Ele, o Vivente, o Sustentador de tudo. Nem a sonolência nem o sono O dominam.”
(Alcorão 2:255)
Se Deus não dorme e não precisa de nada, como poderia tornar-se um ser humano que precisa comer, dormir e experimentar fraqueza?
Os seres humanos são criaturas, enquanto Deus é o Criador.
O Alcorão afirma:
“Allah é o Criador de todas as coisas.”
(Alcorão 39:62)
Se Deus se tornasse um ser humano, isso significaria que o Criador se tornou parte da Sua própria criação. Isso cria uma contradição lógica, pois o Criador não pode transformar-se em algo que Ele próprio criou.
A mudança é uma característica dos seres criados.
Deus, porém, é perfeito e não muda.
Deus diz:
“Ele é o Primeiro e o Último, o Manifesto e o Oculto.”
(Alcorão 57:3)
Se Deus se transformasse em um ser humano, isso implicaria uma mudança em Sua natureza, o que contradiz a perfeição divina.
O Islã distingue claramente entre o Criador e os mensageiros.
Os profetas são seres humanos escolhidos por Deus para transmitir Sua mensagem.
O Alcorão diz:
“Dize: Eu sou apenas um ser humano como vós, a quem foi revelado que vosso Deus é um Deus único.”
(Alcorão 18:110)
Mesmo o profeta Muhammad ﷺ, o último mensageiro do Islã, nunca afirmou ser divino.
Ele disse:
“Não exagereis ao me elogiar como os cristãos exageraram ao elogiar o filho de Maria. Eu sou apenas um servo; portanto, digam: o servo de Allah e Seu mensageiro.”
(Relatado por Al-Bukhari)
Isso demonstra claramente que o Islã rejeita elevar os profetas ao nível da divindade.
No Islã, Deus não precisa tornar-se humano para guiar a humanidade.
Em vez disso, Ele envia profetas e mensageiros que transmitem Sua orientação.
Deus diz:
“Mensageiros portadores de boas-novas e advertências, para que a humanidade não tenha argumento contra Allah depois dos mensageiros.”
(Alcorão 4:165)
Assim, a orientação divina vem por meio da revelação e das mensagens proféticas, não pela encarnação de Deus.
Imagine um rei poderoso que deseja transmitir uma mensagem ao seu povo.
Ele precisa transformar-se em um cidadão comum para se comunicar com eles?
Claro que não.
Ele pode simplesmente enviar mensageiros ou representantes para transmitir sua mensagem.
Se isso é verdadeiro para um rei humano, é ainda mais apropriado para Deus, que é infinitamente maior que qualquer autoridade terrena. Deus envia profetas e os apoia com milagres sem tornar-se humano.
O Islã honra Jesus (ʿIsa) como um dos maiores profetas de Deus, mas rejeita a ideia de que ele seja divino ou filho de Deus.
Deus diz:
“Certamente, o exemplo de Jesus perante Allah é como o de Adão: Ele o criou do pó e depois lhe disse: ‘Sê’, e ele foi.”
(Alcorão 3:59)
Se o nascimento milagroso de Jesus sem pai o tornasse divino, então Adão — que não teve nem pai nem mãe — teria um direito ainda maior à divindade.
O Alcorão também afirma:
“Certamente descreram aqueles que disseram: ‘Allah é o Messias, filho de Maria’.”
(Alcorão 5:72)
O Alcorão explica que o próprio Jesus chamava as pessoas a adorar somente a Deus.
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