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31 Agosto 2026

Jesus no Islã e no Cristianismo: diferenças

Quem é Jesus no Islã e no Cristianismo? Uma leitura comparativa do Alcorão e da Bíblia

Introdução

Jesus (que a paz esteja com ele), conhecido como Jesus Cristo no Cristianismo, é uma das maiores figuras religiosas da história. Tanto muçulmanos quanto cristãos creem nele e lhe atribuem uma posição elevada, mas divergem fundamentalmente quanto à sua verdadeira identidade, natureza e missão.

O Islã ensina que Jesus, o Messias, é servo e mensageiro de Deus, um de Seus maiores profetas, o Messias enviado aos Filhos de Israel, nascido milagrosamente da Virgem Maria sem pai e apoiado por Deus com grandes milagres.

A doutrina cristã predominante ensina que Jesus Cristo é o Filho de Deus e o relaciona às doutrinas da Encarnação e da Trindade; sua crucificação e ressurreição ocupam um lugar central na doutrina cristã da salvação.

Isso levanta várias questões importantes:

Quem foi realmente Jesus? Ele foi um profeta e mensageiro ou Deus encarnado? O que Jesus disse sobre si mesmo e sobre Deus? Seu nascimento milagroso e seus milagres provam sua divindade? E como o Islã considera a crucificação e a expiação?

Neste artigo, apresentamos as perspectivas islâmica e cristã sobre Jesus Cristo, comparamos alguns textos corânicos e bíblicos e examinamos os principais pontos de concordância e divergência entre as duas perspectivas.

Primeiro: Quem é Jesus (que a paz esteja com ele) no Islã?

Jesus, filho de Maria (que a paz esteja com ele), ocupa uma posição elevada no Islã. Crer nele não é opcional para um muçulmano; faz parte da fé nos mensageiros de Deus.

Deus Todo-Poderoso diz:

“Dizei: ‘Cremos em Allah e no que nos foi revelado, e no que foi revelado a Abraão, Ismael, Isaque, Jacó e às Tribos; e no que foi concedido a Moisés, a Jesus e aos profetas por seu Senhor.’”

[Alcorão 2:136]

O Alcorão descreve Jesus como:

  • o Messias, Jesus filho de
  • servo de Deus e mensageiro
  • entre Seus mensageiros.
  • uma Palavra transmitida por Deus
  • a Maria.
  • um espírito procedente d’Ele, isto é, um espírito
  • criado por Deus e especialmente honrado.
  • um dos mensageiros
  • dotados de firme determinação.
  • nascido sem pai.
  • apoiado com
  • grandes milagres pela permissão de Deus.
  • ele chamou as pessoas a
  • adorar somente a Deus.
  • não foi morto nem crucificado
  • segundo o Alcorão; em vez disso, Deus o elevou para Si.
  • terá um papel importante
  • no fim dos tempos, conforme indicado pela Sunna profética.

Deus Todo-Poderoso diz:

“O Messias, Jesus filho de Maria, foi apenas um mensageiro de Allah, Sua Palavra que Ele transmitiu a Maria e um espírito procedente d’Ele.”

[Alcorão 4:171]

Assim, o Alcorão combina a honra concedida a Jesus com a rejeição de sua divinização.

Segundo: A Virgem Maria e o nascimento milagroso de Jesus

O Islã honra grandemente Maria (que a paz esteja com ela), e uma surata inteira do Alcorão leva seu nome: Surata Maryam (Maria).
Deus Todo-Poderoso diz:
“E quando os anjos disseram: ‘Ó Maria! Allah te escolheu, purificou-te e escolheu-te acima das mulheres dos mundos.’”
[Alcorão 3:42]
Os muçulmanos creem que Maria era virgem e que Jesus nasceu dela sem pai, por um milagre de Deus.
Deus Todo-Poderoso diz:
“Ela disse: ‘Meu Senhor! Como terei um filho se nenhum homem me tocou?’ Ele disse: ‘Assim será. Allah cria o que quer. Quando decreta algo, apenas lhe diz: “Sê!”, e é.’”
[Alcorão 3:47]
No entanto, o Islã não considera que nascer sem pai faça de Jesus Deus ou o Filho de Deus.
O Alcorão apresenta uma comparação clara:
“Para Allah, o exemplo de Jesus é como o de Adão, que Ele criou do pó e depois lhe disse: ‘Sê!’, e ele foi.”
[Alcorão 3:59]
Se nascer sem pai fosse prova de divindade, Adão teria um argumento ainda maior, pois foi criado sem pai nem mãe.
Mas tanto Adão quanto Jesus são criaturas de Deus, embora a forma de sua criação tenha sido diferente.

Terceiro: O que significa Jesus ser “uma Palavra de Deus”?

Alguns podem pensar que a descrição corânica de Jesus como “Sua Palavra” significa que ele faz parte de Deus ou que é o próprio Deus.

Mas o contexto corânico não indica isso.

Jesus é uma palavra procedente de Deus no sentido de que veio à existência pela ordem divina “Sê!”, sem pai.

Por isso, o Alcorão diz sobre a criação de Jesus:

“Quando Ele decreta algo, apenas lhe diz: ‘Sê!’, e é.”

[Alcorão 3:47]

Aquele que diz “Sê!” é Deus, enquanto aquele que vem à existência por essa ordem é a criatura.

Quarto: O que significa “um espírito procedente d’Ele”?

O Alcorão diz sobre Jesus:

“e um espírito procedente d’Ele”

[Alcorão 4:171]

Na crença islâmica, isso não significa que Jesus faça parte da essência de Deus.

O espírito é criado por Deus, e sua atribuição a Ele aqui é uma atribuição de honra e distinção, assim como outras coisas criadas podem ser atribuídas a Deus como sinal de honra.

Portanto, a expressão “um espírito procedente d’Ele” não contradiz o fato de o mesmo versículo descrever Jesus como:

“um mensageiro de Allah”

Quinto: Qual foi a mensagem de Jesus segundo o Islã?

Segundo o Alcorão, Deus enviou Jesus aos Filhos de Israel.

Deus Todo-Poderoso diz:

“e [fará dele] um mensageiro para os Filhos de Israel”

[Alcorão 3:49]

A essência de sua mensagem era a mesma de todos os profetas:

Adorar somente a Deus.

Jesus diz, conforme citado no Alcorão:

“Allah é meu Senhor e vosso Senhor; portanto, adorai-O. Este é um caminho reto.”

[Alcorão 3:51]

O Alcorão também diz:

“O Messias disse: ‘Ó Filhos de Israel! Adorai Allah, meu Senhor e vosso Senhor.’”

[Alcorão 5:72]

Assim, segundo o Islã, a mensagem de Jesus não era chamar as pessoas a adorá-lo, mas chamar à adoração do Deus que o enviou.

Sexto: Os milagres de Jesus (que a paz esteja com ele)

O Islã afirma os grandes milagres de Jesus, alguns dos mais notáveis milagres associados aos profetas.
Deus Todo-Poderoso diz:
“Eu formo para vós, do barro, a figura de um pássaro; então sopro nela e, pela permissão de Allah, ela se torna um pássaro. Curo o cego de nascença e o leproso e dou vida aos mortos pela permissão de Allah.”
[Alcorão 3:49]
Entre seus milagres estavam:
  • curar o cego de nascença.
  • curar o leproso.
  • dar vida aos mortos.
  • formar a figura de um pássaro
  • de barro, que depois se tornava um pássaro.
  • informar as pessoas sobre algumas coisas
  • que comiam e guardavam em suas casas.
Mas uma expressão extremamente importante se repete ao falar desses milagres:
“Pela permissão de Allah.”
O Alcorão deixa claro, assim, que esses milagres não eram um poder divino independente possuído por Jesus, mas sinais concedidos por Deus a Seu profeta.
Outros profetas também receberam grandes milagres. Deus abriu o mar para Moisés (que a paz esteja com ele), mas esse milagre não fez de Moisés um ser divino.

Sétimo: Jesus na doutrina cristã

Existem muitas denominações cristãs, que diferem em alguns detalhes teológicos. No entanto, os principais ramos tradicionais do Cristianismo — como o Catolicismo, a Ortodoxia e a maioria das tradições protestantes — afirmam a divindade de Cristo e a doutrina da Trindade.
Segundo essa doutrina, Deus é um em essência e três em pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O Cristianismo tradicional também ensina a Encarnação: que o Filho assumiu uma natureza humana na pessoa de Jesus Cristo.
Aqui aparece a diferença fundamental em relação ao Islã.
O Islã rejeita a ideia de que Deus tenha um filho ou que qualquer criatura compartilhe de Sua divindade.
Deus Todo-Poderoso diz:
“Dize: Ele é Allah, Único. Allah, o Absoluto. Não gerou nem foi gerado. E não há ninguém comparável a Ele.”
[Alcorão 112:1–4]

Oitavo: Que textos os cristãos citam para sustentar a divindade de Cristo?

Os cristãos citam várias passagens do Novo Testamento, entre as mais conhecidas:

“Eu e o Pai somos um.”

[João 10:30]

E também:

“Quem me viu, viu o Pai.”

[João 14:9]

O início do Evangelho de João também é citado:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

[João 1:1]

O Cristianismo tradicional entende essas e outras passagens como apoio à doutrina da divindade de Cristo.

Mas o diálogo islâmico-cristão não se limita à existência desses textos; ele também pergunta:

Como devem ser entendidos à luz de outros textos que distinguem claramente Jesus de Deus?

Nono: Textos bíblicos que distinguem Jesus de Deus

O Novo Testamento contém passagens em que Jesus fala de Deus como seu Deus, ora a Ele ou distingue a si mesmo de Deus.
Entre os exemplos mais conhecidos está:
“Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.”
[João 20:17]
Em João:
“E a vida eterna é esta: que conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”
[João 17:3]
Em Marcos, quando lhe perguntaram qual era o maior mandamento, Jesus disse:
“O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.”
[Marcos 12:29]
Os Evangelhos também mostram Jesus orando a Deus.
Mateus diz:
“Prostrou-se com o rosto em terra e orou.”
[Mateus 26:39]
Aqui, a perspectiva islâmica levanta uma questão fundamental:
Se Jesus orava, a quem ele orava?
Os muçulmanos consideram que essas passagens se harmonizam naturalmente com o fato de Jesus ser mensageiro e servo de Deus.
Os cristãos geralmente as interpretam dentro do contexto da Encarnação, da distinção entre o Pai e o Filho e das naturezas divina e humana de Cristo.

Décimo: Jesus disse explicitamente: “Eu sou Deus, adorai-me”?

Esta é uma das perguntas mais frequentes no diálogo islâmico-cristão.

Os quatro Evangelhos canônicos não contêm uma declaração direta e literal formulada exatamente assim:

“Eu sou Deus; adorai-me.”

Isso não significa que os cristãos fundamentem a divindade de Cristo nessa frase; em vez disso, recorrem a um conjunto de outros textos, atos e títulos que entendem como indicativos de sua divindade.

Os muçulmanos, por outro lado, argumentam que uma questão de tamanha importância deveria ter sido expressa com grande clareza, especialmente diante das muitas passagens em que Jesus chama a Deus, ora a Ele e distingue a si mesmo d’Ele.

Décimo primeiro: A humanidade de Jesus nos textos do Novo Testamento

Os Evangelhos descrevem Jesus com muitas características humanas.
Ele:
  • comeu e bebeu.
  • sentiu fome.
  • sentiu sede.
  • sentiu tristeza.
  • invocou a Deus.
Mateus relata, após seu jejum:
“Teve fome.”
[Mateus 4:2]
No Evangelho de João, ele diz:
“Tenho sede.”
[João 19:28]
O Cristianismo tradicional explica isso pela doutrina de que Cristo é plenamente divino e plenamente humano.
O Islã considera que essas características se harmonizam diretamente com o fato de Jesus ser um ser humano honrado, escolhido por Deus como profeta e mensageiro.

Décimo segundo: O conhecimento de Jesus era limitado?

Uma passagem notável é a declaração de Jesus sobre a Hora:

“Mas daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.”

[Marcos 13:32]

Os muçulmanos veem nessa passagem uma evidência da distinção entre o conhecimento perfeito de Deus e o conhecimento de Cristo, a quem Deus concedeu o conhecimento que quis.

A teologia cristã oferece interpretações dessa passagem dentro do contexto da Encarnação e das duas naturezas de Cristo.

Décimo terceiro: A crucificação no Islã e no Cristianismo

A crucificação é um dos principais pontos de divergência entre as duas religiões.

No Cristianismo

A morte de Cristo na cruz e sua ressurreição são centrais na doutrina cristã tradicional e estão intimamente relacionadas à salvação do pecado.

No Islã

O Alcorão afirma que Jesus não foi morto nem crucificado:
“E por terem dito: ‘Matamos o Messias, Jesus filho de Maria, o mensageiro de Allah.’ Mas não o mataram nem o crucificaram; isso apenas lhes pareceu assim.”
[Alcorão 4:157]
Depois diz:
“Em vez disso, Allah o elevou para Si.”
[Alcorão 4:158]
Portanto, os muçulmanos creem que Deus salvou Jesus de ser morto e o elevou para Si.

Décimo quarto: O pecado e a expiação no Islã e no Cristianismo

A questão da crucificação está relacionada a outra pergunta:
Uma pessoa precisa do sacrifício de Cristo para que Deus a perdoe?
Em amplas correntes da teologia cristã, a morte de Cristo está ligada à salvação, à reconciliação e ao perdão dos pecados, embora as tradições cristãs difiram na maneira de explicar a expiação.
O Islã, por outro lado, estabelece o princípio da responsabilidade individual:
“Nenhum portador de fardo carregará o fardo de outro.”
[Alcorão 6:164]
Ninguém carrega o pecado de outra pessoa.
A porta do arrependimento também está aberta diretamente entre a pessoa e seu Senhor.
Deus Todo-Poderoso diz:
“Dize: ‘Ó Meus servos que transgrediram contra si mesmos! Não desespereis da misericórdia de Allah. Certamente, Allah perdoa todos os pecados.’”
[Alcorão 39:53]
No Islã, portanto, uma pessoa não precisa que outra carregue seu pecado para ser perdoada. Em vez disso, arrepende-se diante de Deus e pede Seu perdão.

Décimo quinto: Chamar Jesus de “Filho de Deus” significa filiação literal?

A crença islâmica rejeita atribuir um filho a Deus.

Deus Todo-Poderoso diz:

“Não é próprio de Allah tomar para Si um filho. Glorificado seja Ele!”

[Alcorão 19:35]

Ao comparar, é importante observar que a expressão “filho de Deus” aparece na Bíblia em diferentes contextos e não é usada, em todas as ocorrências, exclusivamente para Cristo.

Por essa razão, os muçulmanos argumentam que o simples uso da linguagem de filiação não é suficiente, por si só, para provar uma filiação divina no sentido de que a própria pessoa seja Deus.

O Cristianismo tradicional, porém, distingue entre usos figurados da filiação e o significado teológico particular de Cristo como o Filho.

Décimo sexto: Os milagres provam a divindade de Jesus?

Os milagres de Jesus foram grandiosos, mas a pergunta é:

Todo aquele que realiza um milagre se torna Deus?

A resposta lógica é não.

A própria Bíblia atribui milagres a outros profetas, e o Alcorão também relata milagres de Moisés, Abraão e outros.

No conceito de profecia, um milagre é um sinal pelo qual Deus apoia Seu mensageiro; não é necessariamente uma prova de que o próprio mensageiro seja divino.

Por isso, ao falar dos milagres de Jesus, o Alcorão enfatiza a expressão:

“Pela permissão de Allah.”

Décimo sétimo: O Islã diminui Jesus?

Não.

A fé de um muçulmano não é válida se ele rejeitar Jesus ou negar sua profecia.

O Islã crê em Jesus como:

  • o Messias.
  • nascido da Virgem
  • Maria por um milagre.
  • apoiado por milagres.
  • um dos maiores mensageiros de Deus.
  • aquele a quem Deus revelou
  • o Evangelho.
  • aquele que chamou ao monoteísmo.
  • aquele que Deus elevou
  • para Si.

Portanto, a divergência entre o Islã e o Cristianismo não diz respeito ao respeito devido a Jesus, mas à questão de saber se Jesus deve ser adorado ou se deve ser adorado o Deus que o enviou.

Décimo oitavo: O que o Alcorão diz que Jesus dirá no Dia do Juízo?

O Alcorão apresenta um profundo diálogo sobre essa questão.

Deus pergunta a Jesus:

“Ó Jesus, filho de Maria! Foste tu quem disse às pessoas: ‘Tomai a mim e a minha mãe como duas divindades além de Allah’?”

Ele responde:

“Glorificado sejas! Não me cabia dizer aquilo a que eu não tinha direito.”

Depois diz:

“Não lhes disse senão o que Tu me ordenaste: ‘Adorai Allah, meu Senhor e vosso Senhor.’”

[Alcorão 5:116–117]

Esses versículos resumem a visão islâmica da mensagem de Cristo:

Adorar somente a Deus.

Décimo nono: Jesus e Muhammad (que a paz esteja com ambos)

O Islã não apresenta Muhammad (que a paz e as bênçãos estejam com ele) como rival de Jesus.
Em vez disso, os muçulmanos creem em todos os profetas de Deus.
Deus Todo-Poderoso diz:
“Não fazemos distinção entre nenhum de Seus mensageiros.”
[Alcorão 2:285]
O muçulmano crê em Abraão, Moisés, Jesus, Muhammad e todos os demais profetas, que a paz esteja com eles.
O Islã ensina que o fundamento da mensagem deles era um só:
Adorar somente a Deus e não associar nada a Ele.
Deus Todo-Poderoso diz:
“Não enviamos antes de ti mensageiro algum sem lhe revelar: ‘Não há divindade digna de adoração além de Mim; portanto, adorai-Me.’”
[Alcorão 21:25]

Vigésimo primeiro: Qual concepção está mais próxima de um monoteísmo simples?

O monoteísmo islâmico baseia-se em um princípio claro:

Deus é Um, Criador de todas as coisas. Ele não é um ser humano nem parte de Sua criação e não necessita de alimento, sono ou qualquer outra necessidade própria das criaturas.

Deus Todo-Poderoso diz:

“Allah! Não há divindade digna de adoração além d’Ele, o Vivente, o Sustentador de tudo. Nem sonolência nem sono O atingem.”

[Alcorão 2:255]

E Ele diz:

“Nada se assemelha a Ele.”

[Alcorão 42:11]

Nessa perspectiva, o Islã considera que honrar verdadeiramente Jesus não consiste em elevá-lo ao nível da divindade, mas em crer nele como Deus o enviou:

um profeta, mensageiro e Messias honrado que chamou a humanidade a adorar seu Criador.

Perguntas frequentes sobre Jesus no Islã e no Cristianismo

Os muçulmanos creem em Jesus Cristo?

Sim. Crer em Jesus (que a paz esteja com ele) faz parte da fé islâmica, e um muçulmano não pode validamente negar Jesus nem rejeitar sua profecia.

Os muçulmanos creem no nascimento virginal de Jesus?

Sim. Os muçulmanos creem que Maria concebeu Jesus sem que homem algum a tocasse e que seu nascimento foi um milagre de Deus.

Jesus é o Messias no Islã?

Sim. O Alcorão o chama explicitamente de Messias, Jesus filho de Maria.

O Islã considera Jesus o Filho de Deus?

Não. O Islã declara que Deus está muito acima de ter descendência e considera Jesus servo de Deus e Seu honrado mensageiro.

Por que Jesus é chamado de “uma Palavra de Deus” no Alcorão?

Porque foi criado pela ordem e pela palavra de Deus: Deus ordenou que ele existisse, e ele veio à existência. Isso não significa que Jesus faça parte da essência de Deus.

O que significa Jesus ser “um espírito procedente de Deus”?

Significa um espírito criado por Deus e atribuído a Ele como honra; não significa que Jesus faça parte de Deus.

Jesus realizou milagres segundo o Islã?

Sim. Entre seus milagres estavam curar o cego de nascença e o leproso e dar vida aos mortos, mas o Alcorão enfatiza que aconteceram pela permissão de Deus.

O Islã crê na Trindade?

Não. O Islã afirma a unicidade absoluta de Deus e rejeita dividir a divindade em pessoas.

Deus Todo-Poderoso diz:

“Não digais: ‘Três.’ Parai! Isso será melhor para vós. Allah é somente um Deus.”

[Alcorão 4:171]

Os muçulmanos creem que Jesus foi crucificado?

Não. O Alcorão afirma que Jesus não foi morto nem crucificado e que Deus o elevou para Si.

Os muçulmanos creem no retorno de Jesus?

Sim. Hadiths proféticos indicam que Jesus, filho de Maria, descerá no fim dos tempos.

Os muçulmanos odeiam Jesus?

Não. Os muçulmanos são obrigados a crer em Jesus, respeitá-lo e amá-lo como profeta e mensageiro de Deus.

Maria tem uma posição especial no Islã?

Sim. Maria (que a paz esteja com ela) está entre as maiores mulheres. O Alcorão a menciona pelo nome e uma surata inteira leva seu nome.

Qual é a principal diferença sobre Jesus entre o Islã e o Cristianismo?

A principal diferença diz respeito à sua natureza e posição: o Islã o considera o Messias, profeta, mensageiro e servo de Deus, enquanto o Cristianismo tradicional afirma sua divindade e encarnação.

Por que os muçulmanos não consideram o nascimento de Jesus sem pai uma prova de sua divindade?

Porque Deus pode criar de diferentes maneiras. Adão foi criado sem pai nem mãe, Jesus nasceu de uma mãe sem pai e os demais seres humanos nascem de pai e mãe. As diferentes formas de criação demonstram o poder do Criador, não a divindade da criatura.

Se Jesus não é Deus, por que seus milagres foram tão grandes?

Porque, no Islã, os milagres são sinais que Deus concede a Seus profetas para confirmar a veracidade de sua mensagem. Deus também concedeu grandes milagres a outros profetas.

Uma pessoa pode se arrepender diretamente diante de Deus no Islã?

Sim. Uma pessoa não precisa de intermediário entre ela e Deus para se arrepender. Quem se arrepende sinceramente, crê e pratica boas ações pode receber o perdão de Deus.

Conclusão

Jesus Cristo (que a paz esteja com ele) é uma figura que aproxima muçulmanos e cristãos em muitos aspectos, mas também representa uma de suas mais importantes divergências doutrinárias.
Ambos reconhecem sua posição excepcional, seu nascimento milagroso e a Virgem Maria, mas diferem fundamentalmente na compreensão de sua verdadeira identidade.
O Cristianismo tradicional considera Cristo mais do que um profeta e mensageiro e o relaciona às doutrinas da Trindade, da Encarnação, da crucificação e da salvação.
O Islã apresenta uma compreensão diferente:
Jesus é o Messias, servo e mensageiro de Deus. Nasceu milagrosamente, foi apoiado por Deus com sinais e chamou as pessoas a adorar somente a Deus.
Por isso, o Alcorão chama o Povo do Livro a um fundamento comum:
“Dize: ‘Ó Povo do Livro! Vinde a uma palavra comum entre nós e vós: que não adoremos senão Allah e não associemos nada a Ele.’”
[Alcorão 3:64]
A pergunta que esta comparação deixa ao leitor que busca a verdade é:
Como o próprio Jesus descrevia sua relação com Deus e a quem ele chamava as pessoas a adorar?
O Islã não chama à rejeição de Cristo, mas a crer nele e honrá-lo como todos os profetas de Deus são honrados, sem lhe atribuir nenhuma das qualidades exclusivas do Criador.
No Islã, Jesus não é rival de Deus nem parte d’Ele. Em vez disso, é um grande mensageiro enviado por Deus para chamar as pessoas a adorar o Deus Único.

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