O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam sobre ele) disse: "Quando uma pessoa morre, suas ações cessam, exceto três: uma caridade contínua, um conhecimento benéfico ou um filho v
A fé de uma pessoa nascida em uma família muçulmana é válida se ela seguir o Islã por imitação, sem pesquisar nem examinar as evidências da fé? E por que ela entraria no Paraíso mesmo sem ter investigado as provas da fé?
Resposta
Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah.
Quem nasce no Islã, acredita firmemente em Allah e em Seu Mensageiro, e cumpre as obrigações que Allah lhe prescreveu, tem uma fé válida. Não lhe é exigido que caia na dúvida ou que volte a investigar a veracidade de sua religião depois que Allah o agraciou com a orientação. Pelo contrário, o que lhe é exigido é fortalecer sua fé por meio da reflexão sobre o Alcorão, da contemplação dos sinais de Allah e da prática de boas obras, e não duvidar daquilo que já se tornou uma certeza para ele.
A maioria dos estudiosos afirmou que a fé de quem segue o Islã por imitação (taqlid) é válida, desde que sua crença seja firme e livre de dúvidas. O Profeta Muhammad ﷺ não exigiu daqueles que abraçavam o Islã que conhecessem provas filosóficas ou racionais, nem os métodos de argumentação teológica. Em vez disso, aceitou deles uma fé sincera e a submissão aos ensinamentos do Islã. Por essa razão, os Companheiros aceitavam o Islã das pessoas comuns sem submetê-las a testes sobre os detalhes mais profundos da crença ou exigir que apresentassem provas racionais daquilo em que acreditavam.
Isso não significa que o muçulmano não se beneficie do conhecimento e da reflexão. Pelo contrário, quanto mais ele conhece o seu Senhor e medita sobre o Seu Livro, maior se torna sua certeza e mais forte se torna sua fé. No entanto, isso faz parte do aperfeiçoamento e do fortalecimento da fé, e não é uma condição para a validade da sua base.
Quanto ao muçulmano que comete pecados graves, ele não deixa o Islã enquanto não cometer algo que anule sua fé. Se morrer afirmando a unicidade de Allah (Tawhid), ficará sob a vontade de Allah: se Ele quiser, o perdoará; e, se quiser, o castigará de acordo com seus pecados. No fim, porém, entrará no Paraíso, pois a crença na unicidade de Allah é a maior causa da salvação e o fundamento sobre o qual todas as boas obras são construídas.
Quanto ao não muçulmano, suas boas obras realizadas nesta vida não lhe trarão benefício na Outra Vida se morrer permanecendo na descrença, pois a aceitação das obras está condicionada à fé. Allah pode recompensá-lo nesta vida com saúde, sustento ou outras bênçãos por causa de suas boas ações, mas na Outra Vida ele não terá recompensa enquanto permanecer na descrença.
Em resumo: O muçulmano cuja fé está firmemente estabelecida não deve investigar a veracidade do Islã de uma forma que o leve à dúvida. Pelo contrário, deve permanecer firme na fé, praticar boas obras e buscar o conhecimento benéfico que fortaleça sua certeza. Segundo a maioria dos estudiosos, a fé firme de quem segue o Islã por imitação é válida. Quem morrer professando o Tawhid será, por fim, um dos habitantes do Paraíso, ainda que antes seja castigado por alguns de seus pecados. Isso faz parte da graça, da justiça e da perfeita sabedoria de Allah.