Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah.
O Alcorão não exige que uma pessoa seja explicitamente chamada de “Deus” ou considerada o Criador para que se diga que ela foi tomada como divindade. Direcionar atos de adoração a alguém além de Allah entra no significado de tomar essa pessoa como objeto de culto. Ao longo da história e em algumas práticas cristãs, existiram formas de súplica dirigidas a Maria, que a paz esteja sobre ela, pedidos de auxílio e determinados atos de devoção direcionados a ela.
Allah, o Altíssimo, diz:
“E quando Allah disser: ‘Ó Jesus, filho de Maria, foste tu que disseste às pessoas: Tomai a mim e a minha mãe como duas divindades além de Allah?’”
[Al-Ma’idah 5:116]
O versículo fala de tomar alguém como objeto de adoração e direcionar-lhe culto, e não necessariamente de chamar Maria explicitamente de “Deus”.
Por isso, o Alcorão também descreve o Povo do Livro dizendo:
“Tomaram seus rabinos e monges como senhores além de Allah.”
[At-Tawbah 9:31]
No entanto, eles não necessariamente chamavam seus rabinos e monges de “deuses”.
Portanto, o que importa é a realidade dos atos de adoração direcionados a uma criatura, e não apenas o nome usado para descrevê-la.
Vários historiadores e estudiosos mencionaram a existência de grupos aos quais foi atribuída uma veneração extrema de Maria, que a paz esteja sobre ela. Entre eles, menciona-se um grupo conhecido como mariamitas, ao qual foram atribuídas crenças relacionadas à divindade de Maria e de Cristo.
Algumas tradições cristãs também apresentaram práticas que envolvem dirigir súplicas a Maria e pedir sua intercessão e auxílio, mesmo que seus praticantes não chamem isso de adoração nem afirmem que Maria seja Deus.
Do ponto de vista islâmico, suplicar a uma criatura e pedir-lhe, como ato de adoração, algo que somente Allah pode conceder não se torna permitido simplesmente por ser chamado de “veneração” ou “intercessão”.
Allah diz:
“Dize: Invocai aqueles que alegais existir além d’Ele. Eles não possuem poder para remover de vós o mal nem para transferi-lo.”
[Al-Isra 17:56]
Também é importante observar que o versículo não afirma que todo cristão em todas as épocas acredita que Maria, que a paz esteja sobre ela, seja uma divindade.
As palavras aparecem na forma de uma pergunta de Allah a Jesus, que a paz esteja sobre ele, sobre o fato de algumas pessoas terem tomado a ele e sua mãe como duas divindades além de Allah. Nisso há uma condenação daqueles que caíram nesse exagero e nessa adoração.
Assim, quando uma denominação cristã atual diz: “Não acreditamos que Maria seja Deus”, essa afirmação, por si só, não contradiz o versículo, pois o Alcorão não atribui essa crença de uma única forma a cada cristão individualmente nem a todas as denominações cristãs.
Tomar Maria, que a paz esteja sobre ela, como divindade no sentido corânico não depende de chamá-la explicitamente de “deusa”. Direcionar a uma criatura atos de adoração, súplica e pedido de auxílio que pertencem exclusivamente a Allah entra no significado de tomá-la como objeto de adoração além de Allah.
A história também conheceu formas de exagero e práticas devocionais dirigidas a Maria, que a paz esteja sobre ela. O versículo não implica que todas as denominações cristãs ou todos os cristãos acreditem que ela seja Deus ou parte de Deus.
E Allah sabe mais.