Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah.
Não estabelecemos “Yahweh” como um dos nomes de Allah com base em sua ocorrência nos livros dos judeus, pois, segundo esta fatwa, não há no Alcorão nem na Sunnah algo que o estabeleça.
Quanto aos relatos transmitidos pelo Povo do Livro cuja autenticidade ou falsidade não tenha sido estabelecida pela nossa legislação islâmica, a posição correta é suspender o julgamento: não os consideramos verdadeiros nem os consideramos falsos. O fato de não estabelecermos esse nome não significa afirmar categoricamente que ele nunca tenha aparecido originalmente em uma revelação anterior.
O nome “Yahweh” é conhecido entre os judeus como uma designação para Deus. O doutor Abdel Wahab El-Messiri mencionou que ele está entre os nomes mais frequentes e sagrados do Antigo Testamento e que os judeus tradicionalmente evitavam pronunciá-lo por reverência.
Ele também transmitiu diversas explicações sobre a origem da palavra, seu significado e sua pronúncia, observando que essas explicações não são definitivas. Veja: Enciclopédia dos Judeus, do Judaísmo e do Sionismo, 5/70.
Essas informações descrevem o uso do nome nas fontes e tradições judaicas, mas não são suficientes, por si só, para estabelecê-lo como um dos nomes de Allah no Islã. Investigar a origem ou a ampla utilização de um termo é diferente de estabelecer esse termo por meio de uma evidência religiosa islâmica.
Os relatos transmitidos pelo Povo do Livro não possuem todos o mesmo julgamento. Eles devem ser avaliados de acordo com aquilo que foi estabelecido pelo Alcorão e pela Sunnah.
Ash-Shinqiti resumiu as categorias conhecidas das Isra’iliyyat em três:
Veja: Adwa’ al-Bayan, 4/238.
Suspender o julgamento significa não afirmar categoricamente algo para o qual não possuímos evidência que comprove sua autenticidade ou sua negação. Portanto, não aceitamos um relato simplesmente porque aparece nesses livros, nem o rejeitamos simplesmente porque foi transmitido pelo Povo do Livro.
Abu Hurayrah رضي الله عنه relatou que o Povo do Livro costumava ler a Torá em hebraico e explicá-la em árabe aos muçulmanos. O Mensageiro de Allah ﷺ disse:
“Não considereis o Povo do Livro verdadeiro nem os considereis mentirosos, mas dizei: ‘Cremos em Allah e no que foi revelado para nós.’” [Al-Baqarah: 136]
Narrado por al-Bukhari (4485).
Abu Namla al-Ansari رضي الله عنه relatou que o Profeta ﷺ disse:
“Aquilo que o Povo do Livro vos transmitir, não o considereis verdadeiro nem o considereis falso. Dizei: ‘Cremos em Allah e em Seus mensageiros.’ Se for falso, não o tereis confirmado; e se for verdadeiro, não o tereis negado.”
Narrado por Abu Dawud (3644), e autenticado por al-Albani em Silsilat al-Ahadith as-Sahihah, 6/712.
Ibn Taymiyyah explicou que esses textos exigem que nos abstenhamos de julgar aquilo cuja autenticidade ou falsidade desconhecemos, para que não confirmemos uma falsidade nem neguemos uma verdade. Veja: Al-Jawab as-Sahih, 6/461–462.
A fatwa conclui que “Yahweh” não deve ser estabelecido como um dos nomes de Allah, porque a base apresentada para estabelecê-lo encontra-se nos livros dos judeus, e não há no Alcorão nem na Sunnah evidência que o confirme.
Aqui é necessário distinguir entre duas afirmações:
“Não está estabelecido para nós que ele seja um dos nomes de Allah”,
e:
“Está comprovado que ele não foi um nome de Allah em nenhuma revelação anterior.”
A primeira é a conclusão estabelecida pela fatwa, enquanto a segunda exigiria uma evidência que comprovasse essa negação.
De acordo com o mesmo princípio, afirmar que esse termo, ou parte dele, aparece em alguns nomes também não resolve a questão. Mesmo que essa relação linguística fosse comprovada, ela demonstraria um determinado uso do termo, mas não substituiria a evidência religiosa necessária para estabelecê-lo como um nome de Allah.
“Yahweh” não é estabelecido como um dos nomes de Allah no Islã simplesmente porque aparece nos livros judaicos ou é amplamente conhecido na tradição judaica.
Quanto à questão de saber se ele realmente foi atribuído a uma revelação anterior, a posição correta é suspender o julgamento enquanto não houver evidência no Alcorão ou na Sunnah que o estabeleça ou o negue.
E Allah sabe melhor.