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O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam sobre ele) disse: "Quando uma pessoa morre, suas ações cessam, exceto três: uma caridade contínua, um conhecimento benéfico ou um filho v
A Crença Islâmica Os Nomes e os Atributos de Allah no Islã 550 2026-09-10

A diferença entre os asharitas e os jahmitas sobre o Alcorão e o julgamento daqueles que sustentam essa posição

Pergunta
Os asharitas e os kullabitas concordam com os jahmitas ao afirmar que o Alcorão é criado? O que significa, segundo eles, kalām nafsī (“fala interior”)? E concordar com uma determinada afirmação implica necessariamente aplicar o mesmo julgamento a toda pessoa que a sustenta?
Resposta

 

Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah.

A fatwa explica que os asharitas concordam com os jahmitas ao afirmar que as expressões verbais do Alcorão são criadas, mas diferem deles ao afirmar uma fala eterna subsistente na Essência de Allah, que chamam de “kalām nafsī”. Portanto, a concordância é parcial e não significa que suas doutrinas sejam idênticas.

A fatwa também distingue entre o julgamento de uma afirmação e o julgamento de uma pessoa específica. Ela menciona a possibilidade de desculpar um sábio que chegou a uma conclusão incorreta por interpretação, assim como uma pessoa ignorante que segue outros, e afirma que uma pessoa específica não deve ser declarada incrédula antes que a prova seja estabelecida contra ela.

O que significa “kalām nafsī” para os asharitas?

Segundo as citações apresentadas pela fatwa, os asharitas distinguem entre kalām nafsī e a fala verbal.

Para eles, kalām nafsī é um atributo eterno subsistente na Essência de Allah. Quanto às palavras que são lidas e escritas, elas são criadas e indicam essa fala eterna.

Por isso, descrever kalām nafsī simplesmente como “pensamentos” não expressa com precisão o significado pretendido nos textos citados. Eles o descrevem como um significado eterno subsistente na Essência de Allah, e não como pensamentos que surgem posteriormente.

Al-Bājūrī disse:

“Saiba que a Fala de Allah é usada para designar a fala interior antiga, isto é, um atributo subsistente em Sua Essência, Exaltado seja.”

Depois, mencionou que o termo também é usado para a fala verbal, no sentido de que Allah a criou.

Ele explicou que o Alcorão, no sentido de kalām nafsī, é não criado segundo sua doutrina, enquanto a expressão verbal recitada é criada. Entretanto, proibiram afirmar simplesmente “o Alcorão é criado” fora do contexto de ensino, por receio de que isso fosse entendido como incluindo o atributo subsistente na Essência de Allah.

Veja: Sharḥ al-Bājūrī ʿalā Jawharat al-Tawḥīd, pp. 94–95.

Como eles explicam as diferenças entre os Livros revelados?

A fatwa cita ʿAbd al-Salām al-Laqānī dizendo que kalām nafsī é um único significado, indicado pela expressão, pela escrita e pelos sinais. Quando é expresso em árabe, é o Alcorão; em siríaco, o Evangelho; e em hebraico, a Torá.

Veja: Sharḥ Jawharat al-Tawḥīd, p. 159.

A fatwa critica essa formulação e não adota a ideia de que o Alcorão, a Torá e o Evangelho sejam apenas diferentes expressões de um único significado indivisível.

Ela também apresenta, ao explicar essa doutrina, diferentes afirmações sobre as palavras reveladas: que foram criadas na Tábua Preservada, que Jibrīl عليه السلام as expressou, ou que Muḥammad صلى الله عليه وسلم as expressou. Esses são detalhes apresentados pela fatwa como parte de sua discussão da doutrina, e não como a posição que ela prefere.

Pontos de concordância e divergência com os jahmitas

A fatwa afirma que os jahmitas dizem que o Alcorão é criado, sem distinguir entre um significado eterno e uma expressão verbal criada. Eles não afirmam o atributo da fala subsistente em Allah da maneira como os asharitas o afirmam.

Os asharitas, por outro lado, afirmam o atributo da fala, mas consideram criadas as expressões verbais reveladas. Daí a afirmação de que existe concordância em um aspecto, mas não identidade completa entre as duas doutrinas.

Ibn Taymiyyah comparou os asharitas aos mutazilitas e explicou que os asharitas acertaram ao estabelecer que aquele que fala é aquele em quem a fala subsiste, assim como aquele que possui conhecimento é aquele em quem o conhecimento subsiste.

Entretanto, ele os criticou por separar a Fala de Allah do Alcorão revelado e por considerar as expressões reveladas como uma narração ou expressão dessa Fala.

Foi transmitido que Ibn Kullāb utilizou o termo “ḥikāyah” (“narração”), enquanto al-Ashʿarī utilizou o termo “ʿibārah” (“expressão”).

Veja: Al-Tisʿīniyyah, publicada em Al-Fatāwā al-Kubrā (6/632).

Portanto, a comparação entre essas escolas teológicas exige explicar essas diferenças, e não é correto reduzir suas doutrinas a uma única afirmação sem maiores detalhes.

A posição adotada pela fatwa

A fatwa adota a posição de que o Alcorão revelado é a Fala não criada de Allah e que Allah mesmo falou com ela. Não se trata de uma fala que Allah teria criado em outra coisa e depois atribuído a Si mesmo.

Entre os princípios citados de Ibn Taymiyyah está:

“A fala é a fala daquele que a inicia, não a fala daquele que a transmite e comunica.”

Assim, Jibrīl عليه السلام transmitiu o Alcorão ao Profeta صلى الله عليه وسلم, e o Profeta o transmitiu à sua comunidade. O ato de transmitir não torna o transmissor o autor original da fala.

Dessa forma, a fatwa rejeita a afirmação de que as expressões verbais do Alcorão sejam criadas, embora reconheça que a afirmação asharita do atributo da fala diferencia sua doutrina da dos jahmitas.

A diferença entre julgar uma afirmação e julgar uma pessoa específica

A fatwa enfatiza que criticar uma determinada afirmação teológica não significa necessariamente declarar incrédula toda pessoa que a sustente.

Uma pessoa pode ser um sábio que cometeu um erro por interpretação, ou uma pessoa ignorante que simplesmente segue outros, e qualquer uma delas pode ter uma justificativa.

Ibn Taymiyyah disse:

“Quem dentre os crentes se esforça para buscar a verdade e erra, Allah perdoa seu erro, seja qual for, tanto nas questões teóricas quanto nas práticas.”

Veja: Majmūʿ al-Fatāwā (23/346).

Ele explicou que as provas podem não ter chegado à pessoa, podem não ter sido estabelecidas para ela, ela pode não ter conseguido compreendê-las, ou pode ter encontrado dúvidas pelas quais pode ser desculpada.

Também disse:

“Uma pessoa específica não é declarada incrédula até que a prova seja estabelecida contra ela.”

Veja: Majmūʿ al-Fatāwā (7/619).

Portanto, um julgamento geral sobre uma afirmação não deve ser automaticamente aplicado a uma pessoa específica simplesmente por sua filiação a uma escola teológica.

Conclusão

A fatwa considera que os asharitas concordam com os jahmitas quanto ao caráter criado das expressões verbais do Alcorão, mas diferem deles ao afirmar o kalām nafsī eterno. Portanto, a concordância é parcial.

A fatwa considera preferível a posição de que o Alcorão revelado é a Fala não criada de Allah, distinguindo entre a crítica de uma doutrina e o julgamento da pessoa que a sustenta, levando em consideração a interpretação, a ignorância e o estabelecimento da prova.

E Allah sabe melhor.