Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah. Dito isso:
Segundo o que estabelece a fatwa, Allah, o Altíssimo, fala verdadeiramente. Ele fala quando quer e o que quer, e Sua fala pode ser ouvida. Entre isso está o Alcorão, que Allah pronunciou e que Jibril — que a paz esteja sobre ele — ouviu d’Ele.
A fatwa também estabelece que a fala de Allah ocorre com letras e voz de uma maneira apropriada a Ele, sem comparar Sua voz às vozes das criaturas. O chamado mencionado nos hadiths é uma fala verdadeira e não apenas um significado interior subsistente na Essência que não possa ser ouvido.
A fala de Allah é afirmada em muitos textos revelados. Allah diz:
“E Allah falou diretamente com Moisés.”
[An-Nisā’: 164]
E Allah disse a Moisés — que a paz esteja sobre ele:
“Ó Moisés! Eu te escolhi acima das pessoas com Minhas mensagens e com Minha fala.”
[Al-A‘rāf: 144]
Allah também diz:
“Quando chegou até ela, foi chamado: ‘Ó Moisés! Certamente, Eu sou teu Senhor. Portanto, tira tuas sandálias, pois estás no vale sagrado de Ṭuwā.’”
[Ṭā-Hā: 11–12]
Esses textos estabelecem que Allah falou com Moisés e o chamou, e que Moisés — que a paz esteja sobre ele — ouviu a fala de seu Senhor.
A fatwa estabelece que Allah sempre possuiu o atributo da fala e que fala quando quer e o que quer.
Ela cita Ibn Taymiyyah dizendo que a posição da maioria dos estudiosos do hadith e de seus grandes imames é que Allah fala por Sua vontade e poder, e que o Alcorão e os demais Livros revelados são a fala incriada de Allah.
Ibn Abi al-‘Izz também é citado dizendo que Allah:
“Sempre falou quando quis, no momento em que quis e da maneira que quis.”
Assim, o atributo da fala é estabelecido para Allah, enquanto Seus atos individuais de fala estão relacionados à Sua vontade. Ele fala quando quer, da maneira que Lhe convém.
O próprio Alcorão é composto por suratas, versículos, palavras e letras, e ele é a fala de Allah.
Allah diz:
“E se algum dos idólatras te pedir proteção, concede-lhe proteção para que possa ouvir a fala de Allah.”
[At-Tawbah: 6]
Segundo a fatwa, Allah realmente pronunciou o Alcorão. Jibril — que a paz esteja sobre ele — ouviu-o d’Ele e depois o transmitiu ao Profeta Muhammad ﷺ.
Por isso, a fatwa estabelece que a fala de Allah não é simplesmente um significado interior que Jibril ou outra pessoa posteriormente expressou com palavras próprias.
Segundo a opinião adotada pela fatwa, Allah fala com uma voz que é ouvida, mas Sua voz não se assemelha às vozes das criaturas.
A fatwa cita o Imam al-Bukhari dizendo:
“Allah, Poderoso e Majestoso, chama com uma voz que aquele que está distante ouve assim como aquele que está próximo.”
Em seguida, explica-se que isso não significa que a voz de Allah se pareça com as vozes de Sua criação.
O princípio fundamental é a palavra de Allah:
“Nada é semelhante a Ele, e Ele é o Oniouvinte, o Onividente.”
[Ash-Shūrā: 11]
Assim, afirmamos a fala e a voz de acordo com o que estabelecem os textos e a fatwa, sem imaginar sua modalidade nem compará-las à fala humana.
Foi autenticamente relatado do Profeta ﷺ que Allah, o Altíssimo, diz durante o último terço da noite:
“Quem Me invoca para que Eu lhe responda? Quem Me pede para que Eu lhe dê? Quem busca Meu perdão para que Eu o perdoe?”
Narrado por al-Bukhari e Muslim.
Segundo a fatwa, essa é uma verdadeira fala de Allah, o Altíssimo, relacionada à Sua vontade, e não simplesmente um significado interior sem letras nem som.
Isso não exige que conheçamos como essa fala ou voz ocorre, pois a modalidade dos atributos de Allah pertence ao invisível sobre o qual não fomos informados.
Aqueles que defendem esse conceito referem-se a um significado subsistente interiormente, que não é constituído por letras nem sons, enquanto as palavras faladas ou escritas seriam apenas uma expressão desse significado.
A fatwa rejeita que isso constitua a verdadeira natureza da fala de Allah e afirma que essa concepção não está de acordo com o sentido aparente dos textos que descrevem Allah como falando, chamando e dizendo, e que afirmam que Moisés ouviu Sua fala.
Ela também argumenta que a própria linguagem distingue entre aquilo que uma pessoa diz para si mesma e aquilo que realmente pronuncia.
O Profeta ﷺ disse:
“Allah perdoou minha comunidade por aquilo que dizem para si mesmas, desde que não ajam de acordo com isso nem o pronunciem.”
Narrado por al-Bukhari e Muslim.
Assim, o hadith distingue entre o pensamento interior e a fala pronunciada.
Não. Este é um ponto importante para evitar confusão.
O Alcorão é a fala de Allah, mas a voz humana que recita o Alcorão é a voz do recitador.
O ser humano, sua voz e seus movimentos são criados, enquanto as palavras recitadas são a fala de Allah quanto à sua origem e atribuição a Ele.
Assim, dizer que Allah falou o Alcorão com voz não significa que as vozes das pessoas ao recitá-lo sejam a voz de Allah.
Não.
Afirmar que Allah fala não permite tentar imaginar como são Sua fala ou Sua voz.
Assim como a Essência de Allah não se assemelha às essências das criaturas, Seus atributos também não se assemelham aos atributos delas. A fé consiste em afirmar aquilo que foi estabelecido, negar qualquer semelhança e não perguntar como.
Segundo o que estabelece a fatwa, Allah, o Altíssimo, fala verdadeiramente. Ele fala quando quer e o que quer, e Sua fala ocorre com letras e uma voz audível de uma maneira apropriada a Ele, sem se assemelhar à fala ou às vozes das criaturas.
O Alcorão é a fala incriada de Allah. Allah o pronunciou e Jibril — que a paz esteja sobre ele — o ouviu d’Ele. Quanto às vozes das pessoas ao recitarem o Alcorão, são suas vozes criadas.
Portanto, o chamado mencionado no hadith da descida é uma verdadeira fala de Allah, o Altíssimo, e não simplesmente uma “fala interior” sem letras nem som, sendo obrigatório evitar discussões sobre a modalidade da fala ou da voz de Allah.
E Allah sabe mais.