Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah. Prosseguindo:
Não é obrigatório que todo muçulmano, especialmente o muçulmano comum, conheça todos os detalhes relacionados à natureza e à forma do Trono e do Escabelo. O que é obrigatório é crer de maneira geral naquilo que foi estabelecido no Alcorão e na Sunnah. Quanto aos detalhes precisos que não chegaram até a pessoa ou para os quais não existe um texto autêntico, ela não é obrigada a investigá-los e não se torna incrédula nem pecadora simplesmente por ignorá-los.
Primeiramente, a fatwa indica que não se pode afirmar com certeza que o livro Al-Fiqh al-Akbar tenha sido realmente escrito pelo Imam Abu Hanifa, que Allah tenha misericórdia dele, embora seja conhecido entre os estudiosos hanafitas e vários estudiosos tenham transmitido dele.
Além disso, a frase mencionada na pergunta, segundo a qual aquele que «não sabe onde estão os céus» seria incrédulo, não é a formulação transmitida de Abu Hanifa.
O que é transmitido dele no livro refere-se àquele que diz:
«Não sei se meu Senhor está no céu ou na terra».
Também se refere àquele que afirma o istiwa’ de Allah sobre o Trono, mas diz que não sabe se o Trono está no céu ou na terra. Portanto, de acordo com a fatwa, a questão no texto transmitido está relacionada à negação da exaltação de Allah e não constitui uma sentença sobre o muçulmano que simplesmente desconhece os detalhes relacionados à forma dos céus ou do Trono.
Não.
A fatwa menciona que os estudiosos divergiram sobre se o Trono é arredondado ou abobadado.
Alguns estudiosos consideraram que ele é abobadado e citaram um hadith que contém:
«E o Seu Trono está acima dos Seus céus assim»,
e o Profeta ﷺ fez um gesto com os dedos em forma de cúpula.
Entretanto, a própria fatwa esclarece que esse hadith é fraco.
Alguns estudiosos também utilizaram o fato estabelecido de que o Trono possui pernas como evidência de que ele não é arredondado. A fatwa cita declarações de Ibn Taymiyyah, Ibn Baz e Ibn Uthaymin descrevendo o Trono como estando acima dos céus e possuindo pernas.
Contudo, esses detalhes não estão entre os assuntos que os muçulmanos comuns são obrigados a conhecer.
De acordo com a fatwa, basta que o muçulmano creia naquilo que foi estabelecido sobre o Trono, incluindo que ele é uma enorme criação, uma das maiores e mais elevadas das criaturas, e que Allah, Exaltado seja, fez istiwa’ sobre o Trono de uma maneira condizente com Sua majestade.
Allah تعالى diz:
«O Misericordioso estabeleceu-Se sobre o Trono.»
[Taha: 5]
E Ele سبحانه diz:
«Certamente, vosso Senhor é Allah, que criou os céus e a terra em seis dias e depois estabeleceu-Se sobre o Trono.»
[Al-A‘raf: 54]
Quanto aos detalhes para os quais não existe um texto autêntico e explícito, não é obrigatório acreditar neles nem investigá-los.
Um dos pontos mais importantes esclarecidos pela fatwa é a distinção entre a fé geral e o conhecimento dos detalhes.
Todo muçulmano deve crer em Allah e em Seu Mensageiro ﷺ e aceitar de maneira geral tudo aquilo que a revelação trouxe.
Entretanto, conhecer detalhadamente cada questão da crença e cada informação mencionada nos textos não é obrigatório para cada indivíduo.
A fatwa cita Ibn Taymiyyah afirmando que o conhecimento detalhado daquilo que o Mensageiro ﷺ trouxe faz parte das obrigações coletivas, e que aquilo que é obrigatório para cada pessoa varia de acordo com seu conhecimento, sua capacidade e o que lhe chegou dos textos.
Assim, um estudioso ou estudante de conhecimento religioso pode ser obrigado a conhecer detalhes que não são obrigatórios para o muçulmano comum.
Aquele a quem determinada informação não chegou e que não teve possibilidade de conhecê-la não é obrigado a ter uma fé detalhada em algo que desconhece.
Isso está incluído em sua fé geral de que tudo aquilo que foi autenticamente estabelecido por Allah e por Seu Mensageiro ﷺ é verdadeiro.
Por isso, a fatwa afirma que aquilo sobre o qual o Mensageiro ﷺ informou, mas que não chegou ao muçulmano e que ele não tinha possibilidade de conhecer, não faz com que seja punido por não afirmá-lo detalhadamente, pois isso está incluído em sua afirmação geral de tudo aquilo que o Mensageiro ﷺ trouxe.
Não. O muçulmano comum não é obrigado a investigar esses detalhes para que sua fé seja válida.
A fatwa conclui que o muçulmano não precisa investigar as características do Trono para as quais não existe um texto autêntico, como saber se ele é arredondado ou abobadado. Basta ter uma fé geral e aceitar tudo aquilo que foi autenticamente estabelecido pelo Mensageiro ﷺ.
Portanto, simplesmente desconhecer esses detalhes ou não investigá-los não constitui apostasia nem incredulidade. Segundo a fatwa, em princípio, isso também não constitui pecado.
Não é obrigatório que todo muçulmano conheça todos os detalhes relacionados ao Trono, ao Escabelo e aos céus, nem que investigue a forma do Trono, como ele circunda algo ou outras questões detalhadas.
O obrigatório é crer de maneira geral naquilo que foi estabelecido por Allah e por Seu Mensageiro ﷺ, e depois crer detalhadamente naquilo cujos textos autênticos lhe tenham chegado e que ele tenha podido estabelecer.
Quanto ao que foi transmitido de Abu Hanifa, não se trata simplesmente da ignorância dos detalhes sobre a forma do Trono e dos céus. Segundo a fatwa, isso está relacionado à questão da exaltação de Allah e de Seu istiwa’ sobre o Trono.
Portanto, aquele que não conhece os detalhes sobre a forma do Trono, a localização do Escabelo ou como os céus circundam algo não se torna incrédulo nem pecador simplesmente por ignorar essas questões.
E Allah sabe melhor.