O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam sobre ele) disse: "Quando uma pessoa morre, suas ações cessam, exceto três: uma caridade contínua, um conhecimento benéfico ou um filho v
A Jurisprudência Islâmica Os pecados maiores, os pecados e os atos desaconse 952 2026-08-02
A Regra Islâmica sobre Declarar um Muçulmano como Incrédulo
Pergunta
Qual é a autenticidade do hadith: "Pelo contrário, quem faz essa acusação é mais digno de ser chamado de idólatra"? E é permitido declarar um muçulmano incrédulo ou acusá-lo de politeísmo antes que a prova lhe tenha sido claramente estabelecida?
Resposta
Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah.
O hadith mencionado é hasan (bom e autêntico). Foi narrado por Ibn Hibban e outros, e foi classificado como hasan por diversos estudiosos, entre eles o Sheikh Al-Albani. Seu significado é um severo alerta contra a precipitação em acusar muçulmanos de descrença (kufr) ou de associação (shirk) sem qualquer direito.
Esse significado é reforçado pela palavra do Profeta Muhammad ﷺ:
"Se um homem disser ao seu irmão: 'Ó descrente!', essa acusação recairá sobre um dos dois. Se o acusado for realmente como ele disse, então isso será verdadeiro; caso contrário, a acusação retornará para quem a fez."
Isso demonstra o enorme perigo de declarar alguém descrente sem conhecimento ou sem provas claras.
Entretanto, essa advertência não se aplica àquele que descreve como descrença ou associação um ato que a Sharia já estabeleceu, com base em provas autênticas, como sendo descrença ou associação. Ela se refere à pessoa que acusa injustamente ou sem evidências um muçulmano de ser descrente ou idólatra. Quem diz a um muçulmano: "Você é um descrente" ou "Você é um idólatra", quando essa pessoa é inocente de tal acusação, cometeu um grave pecado.
Por outro lado, se uma pessoa pratica um ato ou profere uma declaração que a Sharia classifica como descrença ou associação, é permitido — e até obrigatório — esclarecer o julgamento referente ao próprio ato, dizendo: "Este ato é shirk" ou "Esta declaração é kufr", pois explicar os julgamentos da Sharia é uma obrigação. Isso não está incluído na advertência mencionada no hadith.
Quanto a declarar uma pessoa específica como descrente ou idólatra, Ahl as-Sunnah wa al-Jama'ah estabeleceram critérios muito rigorosos. Esse julgamento só é permitido depois que todas as condições do takfir forem cumpridas e todos os impedimentos reconhecidos pela Sharia forem removidos. Entre as condições mais importantes estão:
Que a prova islâmica tenha sido claramente apresentada à pessoa.
Que ela saiba que suas palavras ou ações contradizem os ensinamentos do Islã.
Que ela não tenha uma desculpa válida, como ignorância, uma interpretação aceitável (ta'wil), coerção ou outro impedimento reconhecido.
Por isso, os estudiosos distinguiram entre julgar um ato e julgar a pessoa que o pratica. Um ato pode, de fato, constituir descrença ou associação, sem que seu autor seja imediatamente declarado descrente, até que a prova lhe seja claramente estabelecida e todos os impedimentos reconhecidos sejam removidos.
Assim, aquele que chama as pessoas ao Tawhid (a Unicidade de Allah) e as adverte contra práticas como adorar túmulos ou buscar ajuda dos mortos pode explicar, quando as evidências da Sharia assim demonstrarem, que essas práticas constituem shirk. Contudo, ele não deve se apressar em declarar indivíduos específicos como descrentes antes que todas as condições estabelecidas pela Sharia sejam plenamente cumpridas.
Em resumo: O hadith é autêntico em seu significado e constitui uma séria advertência contra acusar muçulmanos de descrença ou associação sem direito. Quando um ato ou uma declaração é estabelecido pela Sharia como descrença ou associação, seu julgamento deve ser esclarecido. Porém, declarar uma pessoa específica como descrente somente é permitido após a apresentação da prova islâmica, o cumprimento de todas as condições do takfir e a inexistência de quaisquer impedimentos reconhecidos.