Hadiths
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam sobre ele) disse: "Quando uma pessoa morre, suas ações cessam, exceto três: uma caridade contínua, um conhecimento benéfico ou um filho v
A Jurisprudência Islâmica Fatwas Gerais sobre o Islã 99 2026-08-08

Quem agrada às pessoas causando o desagrado de Allah torna-se politeísta?

Pergunta
Aquele que procura agradar às pessoas desobedecendo a Allah é considerado politeísta? Qual é o julgamento sobre quem abandona algumas ordens de Allah ou comete um pecado por medo do que as pessoas possam dizer ou para obter a aprovação delas, como aquele que não baixa o olhar diante de uma mulher vestida de maneira indecente para não ser considerado extremista?
Resposta

Louvado seja Allah, e que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah. Quanto ao que segue:

Há uma severa advertência contra aquele que coloca a satisfação das pessoas acima da satisfação de Allah. É mencionado no hadith: “Quem buscar agradar às pessoas provocando o desagrado de Allah, Allah ficará descontente com ele e fará com que as pessoas também fiquem descontentes com ele.” Isso demonstra a gravidade de colocar a satisfação das criaturas acima da obediência ao Criador.

Quando agradar às pessoas pode ser incredulidade?

Se uma pessoa agradar às pessoas por meio de uma palavra ou ato que constitua incredulidade, sabendo o que está fazendo, agindo intencionalmente e por livre escolha, e estiverem presentes as condições para o julgamento de incredulidade e ausentes os seus impedimentos, ela poderá cair na incredulidade por causa desse ato, e não simplesmente porque desejou agradar às pessoas.

Entretanto, julgar uma pessoa específica como incrédula não cabe a qualquer pessoa, pois isso está sujeito a critérios islâmicos rigorosos. Uma pessoa específica não é declarada incrédula até que as condições necessárias sejam verificadas e os impedimentos sejam afastados, levando em consideração o conhecimento, a intenção, a livre escolha e a ausência de ignorância, interpretação equivocada ou coerção.

E se o pecado não constituir incredulidade?

Se o ato for um pecado que não chega ao nível da incredulidade, como não baixar o olhar, mentir, ouvir coisas proibidas ou cometer outros pecados maiores ou menores, e a pessoa o fizer por medo do que os outros dirão ou buscando sua aprovação ou consideração, ela será pecadora e desobediente a Allah, mas não sairá do Islam simplesmente por isso.

Ahl as-Sunnah wa al-Jama‘ah sustentam que o muçulmano não se torna incrédulo simplesmente por cometer pecados e atos de desobediência, enquanto não os considerar lícitos nem cometer algo que invalide o Islam.

O medo do que as pessoas dizem é uma desculpa?

Não é permitido ao muçulmano colocar a satisfação das pessoas acima da satisfação de Allah, abandonar uma obrigação ou cometer algo proibido simplesmente por medo de críticas ou de ser acusado de extremismo ou atraso.

O critério do muçulmano deve ser buscar a satisfação de Allah, ao mesmo tempo em que trata bem as pessoas, sem permitir que isso o leve à desobediência a Allah.

A fraqueza da fé, o amor pelos elogios ou o medo das críticas podem levar uma pessoa a cometer esse pecado. Portanto, o muçulmano deve lutar contra suas próprias inclinações e arrepender-se diante de Allah caso caia nisso.

Conclusão

Quem agrada às pessoas provocando o desagrado de Allah comete algo grave e fica sujeito à advertência mencionada na Sunnah. Entretanto, não é considerado politeísta ou incrédulo simplesmente por isso. Se o ato cometido constituir incredulidade, seu julgamento dependerá do cumprimento das condições para o takfir e da ausência de seus impedimentos. Mas, se for um pecado que não chega ao nível da incredulidade, como não baixar o olhar ou outros pecados, a pessoa será pecadora e desobediente, porém continuará sendo muçulmana enquanto não considerar o pecado lícito nem cometer algo que invalide o Islam.

E Allah sabe mais.